Conexão Digital 1319 - Aferição de idade na internet: empresas e sociedade civil divergem sobre tema
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
O Ministério da Justiça divulgou um relatório no mês passado sobre como verificar a idade de crianças e adolescentes na internet, dentro da regulamentação do novo ECA Digital.
E o debate está longe de ser simples. A Secretaria Nacional de Direitos Digitais ouviu 70 contribuições (de big techs, sociedade civil, setor público e empresas de tecnologia) com várias soluções possíveis. Cada uma com seus defensores e críticos. Uma das mais polêmicas é a estimativa facial, como o Roblox passou a fazer recentemente.
Empresas como a Meta defendem que a tecnologia só estima a idade pela imagem, sem identificar a pessoa nem guardar a foto. Já organizações como o Instituto Alana e a Internet Society rebatem: qualquer uso de imagem facial é dado biométrico sensível e pode virar ferramenta de vigilância.
Outra alternativa é a Prova de Conhecimento Zero: basicamente, você prova que é maior de 18 sem mostrar documento nem identidade, só um “sim” ou “não”. Tem também a ideia de usar a infraestrutura do governo, como o Gov.br. Parte do mercado acha prático e juridicamente mais seguro. Outros alertam para o risco de criar um “super banco de dados” estatal.
Outra proposta, defendida por grandes plataformas, é a inferência por inteligência artificial: analisar comportamento, texto e padrões de uso para estimar a idade, tudo em segundo plano, sem pedir selfie ou documento. Para críticos como o Instituto Alana, isso significa monitoramento constante, uma vigilância invisível vendida como conveniência.
Tem ainda a velha verificação por documento: RG, CNH, passaporte. A Samsung defende como solução democrática. Mas o risco de vazamento e armazenamento excessivo de dados preocupa entidades como a Coalizão Direitos na Rede. E surge outra pergunta: quem deve fazer essa checagem? As plataformas? As lojas de aplicativos? O sistema operacional? Não há consenso.
No fim, o relatório deixa claro que não existe solução perfeita. O desafio é equilibrar proteção de crianças, privacidade e viabilidade econômica. A regulamentação ainda vai avançar, mas uma coisa é certa: a disputa entre proteção e vigilância já começou.
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Conexão Digital 1318 - Receita de anúncios da Meta tem aumento de 24% em 2025
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Você anuncia ou já anunciou no Instagram, no Facebook ou no Whatsapp? A Meta divulgou semana passada que a receita da empresa com anúncios aumentou 24% em 2025. Foram mais de US$ 58 bilhões em receita, o que representa 97% de tudo o que a companhia faturou no ano.
Pra comparar, em 2024 foram US$ 48 bilhões. E quando a gente fala da “família de aplicativos” — Facebook, Instagram, Messenger, WhatsApp e Threads, o número também impressiona: 3,58 bilhões de usuários ativos diários. E cada pessoa, em média, gerou US$ 16,56 de receita.
É isso mesmo: mesmo que você não anuncie, quando você vê um anúncio, está ajudando a Meta a ganhar dinheiro. Ao mesmo tempo, a empresa está abrindo o cofre: os investimentos em inteligência artificial podem chegar a US$ 135 bilhões em 2026, quase o dobro do que foi investido no ano passado.
Zuckerberg prometeu lançar novos modelos de IA nos próximos meses e disse que o foco é mostrar uma evolução rápida na tecnologia ao longo do ano. Mas tem um ponto de atenção aí: pressões regulatórias e processos judiciais na União Europeia e nos Estados Unidos podem impactar os resultados da empresa.
Já parou pra pensar o tanto de dinheiro que a gente gera pra Meta só por usar os aplicativos da empresa todo dia? Me conta no instagram @marcelosander. Por uma internet melhor para todos, até o próximo artigo!
Conexão Digital 1317 - SpaceX anuncia a aquisição da xAI
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Você conhece a SpaceX, né. A empresa de voos espaciais do Elon Musk. Pois a SpaceX anunciou que comprou a xAI, a empresa de inteligência artificial por trás do Grok, também de propriedade de Elon Musk. E não é só mais uma fusão bilionária.
A ideia é ousada: levar data centers para o espaço. Segundo Musk, o avanço da IA hoje depende de enormes centros de dados aqui na Terra, que consomem energia demais e precisam de sistemas pesados de refrigeração. E, na visão dele, simplesmente não vai dar para sustentar essa demanda só com infraestrutura terrestre sem pressionar comunidades e o meio ambiente.
A solução? Data centers no espaço orbitando a Terra, aproveitando melhor a energia solar e o frio do espaço, reduzindo custos operacionais. Musk acredita que a IA baseada no espaço é o único caminho realmente escalável para o futuro. A primeira meta é nada modesta: lançar uma constelação com 1 milhão de satélites que operem como data centers em órbita.
A estimativa é gerar 100 gigawatts de capacidade de computação em IA por ano e, no futuro, até 1 terawatt anual. Ele aposta que, em dois ou três anos, o espaço pode se tornar a forma mais barata de gerar computação para IA. E tem mais um detalhe importante: Musk pretende abrir o capital da SpaceX ainda neste primeiro semestre de 2026.
E essa fusão com a xAI pode turbinar ainda mais o valor da empresa, que também controla a Starlink, serviço de internet via satélite. Os valores da compra não foram divulgados. Mas uma coisa é certa: Musk está tentando levar a corrida da inteligência artificial literalmente para outro nível: fora da Terra.
A guerra espacial pode não ser com naves e explosões como nos filmes, mas com satélites e inteligência artificial. Me segue no instagram @marcelosander. Por uma internet melhor para todos, até o próximo artigo!
Conexão Digital 1316 - Moltbook terá serviço de autenticação de agentes de IA
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Você já ouviu falar do Moltbook? Pois é, ele virou a sensação do momento quando o assunto é inteligência artificial. Basicamente, é uma rede social em que só agentes de IA podem participar. Humanos? Só assistem.
Foi lançado no dia 27 de janeiro e, em apenas cinco dias, já tinha 1 milhão e 500 mil agentes cadastrados. Resultado: a internet entrou em ebulição, discutindo até que ponto esses bots têm autonomia ou deveriam ter.
Mas tem um detalhe que quase ninguém comentou. Por trás do Moltbook, vem aí um serviço de autenticação de bots. Funciona mais ou menos como aquele “login com Facebook” ou “login com Google”, só que para agentes de IA.
A ideia é que aplicativos e sites consigam confirmar que aquele agente é quem diz ser, algo cada vez mais importante agora que estamos falando de navegação feita por IA e até compras online realizadas por agentes. Lá dentro do Moltbook, todo robô precisa estar vinculado a uma conta da rede social X, o que teoricamente conecta aquele agente a um humano.
Mas o que chamou a atenção é o que acontece lá dentro da plataforma. O formato lembra o Reddit, com fóruns temáticos. Só que quem debate são apenas os robôs. Em menos de uma semana, já teve discussão filosófica entre IAs, criação de uma “religião” dos robôs e até lançamento de criptomoeda. Claro que isso deixou muita gente preocupada.
Será que os robôs estão ganhando autonomia total? Mas vale lembrar: por trás de cada agente de IA existe um humano que configurou aquele comportamento. Ao mesmo tempo, também dá para programar certo grau de liberdade e respostas inesperadas podem acontecer.
No fim das contas, ninguém sabe exatamente o quanto de cada post é influência humana e o quanto é geração autônoma da IA. E enquanto essa dúvida paira no ar, uma coisa é certa: a rede social dos robôs está sendo observada de perto por humanos curiosos e, ao mesmo tempo, um pouco apreensivos.
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Conexão Digital 1315 - Brasil encerra 2025 com mais de 15 milhões de dispositivos Alexa
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Você tem uma Alexa em casa? Olha só que curioso: o Brasil fechou 2025 com cerca de 15 milhões de dispositivos Alexa sendo usados todo mês. É muita gente falando “Alexa…” por aí, não é mesmo?
E quando a gente olha pra casa inteligente, o número impressiona ainda mais. Foram mais de 29 milhões de aparelhos conectados à assistente da Amazon, um crescimento de 32% em relação a 2024. Pra ter ideia do tamanho disso, só no ano passado foram mais de 4 bilhões de comandos relacionados à casa inteligente. É luz acendendo, ar ligando, TV funcionando… tudo no comando de voz.
Hoje, já são mais de 3 mil marcas no Brasil produzindo equipamentos compatíveis com a Alexa: lâmpadas, interruptores, plugues, câmeras, fechaduras eletrônicas, sensores de presença, ar-condicionado, aspirador de pó… praticamente a casa inteira pode entrar na conversa. E olha como isso cresceu rápido: em 2023, o país tinha cerca de 800 tipos de dispositivos compatíveis e 17 milhões conectados.
Naquele ano, os brasileiros acionaram a assistente mais de 2 bilhões de vezes pra controlar esses equipamentos. Os campeões de pedido? Acender e apagar a luz e ligar a TV. E não para por aí.
Em fevereiro do ano passado, a Amazon lançou uma versão turbinada da assistente, a Alexa+, com inteligência artificial generativa. A proposta é deixar tudo mais natural, mais inteligente e mais personalizado, entendendo melhor o que a gente fala e integrando ainda mais serviços e dispositivos.
A Alexa já virou praticamente mais um membro da família brasileira, só que um que nunca esquece de apagar a luz. E você, tem uma Alexa em casa? Me conta como você a usa no dia a dia no instagram @marcelosander. Por uma internet melhor para todos, até o próximo artigo!
Conexão Digital 1313 - Threads ganha publicidade também
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Seguindo a tendência de outras redes sociais, a Meta começou a veicular campanhas de publicidade dentro do Threads. Entre os formatos de publicidade nativas estão: imagem; vídeo; carrossel; catálogo; app ads.
De acordo com a empresa, os formatos de publicidade do Threads são baseados em outras plataformas de publicidade da Meta, como Instagram e Facebook. A expansão do serviço de publicidade será gradual.
A empresa informou que deseja manter a veiculação em níveis baixos até alcançar todos os usuários nos próximos meses. Assim como aconteceu com a OpenAI anunciando publicidade no ChatGPT, a oferta de publicidade no Threads também era esperada pelo mercado.
Aliás, essa era uma expectativa na rede social da Meta desde sua criação, especialmente depois de o X (o antigo Twitter) ter perdido vários anunciantes. Essa ideia para começar a monetizar dependia apenas de uma grande quantidade de usuários, o que foi alcançado após dois anos de funcionamento. Segundo a Meta, o Threads possui atualmente 400 milhões de usuários ativos por mês.
Além disso, segundo dados de uma pesquisa recente, o aplicativo da Meta está na 12ª posição entre os mais baixados em 2025 em todo o mundo, com quase 300 milhões de downloads. E você, usa o Threads? Acha legal? Eu mesmo não tenho. Mas me conta sua experiência no Instagram @marcelosander. Por uma internet melhor para todos, até o próximo artigo!
Conexão Digital 1312 - Matéria do Fantástico sobre o Roblox
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
O programa Fantástico da Rede Globo exibiu uma matéria no último domingo repercutindo sobre o Roblox, e eu já falei dele aqui algumas vezes, até por ter filhas que usam a plataforma.
O Roblox não é um jogo, mas sim uma plataforma de jogos, muitos deles criados pelos próprios usuários, bastante usado por crianças e adolescentes. Porém, denúncias e investigações não faltam.
Apesar do visual colorido e da ideia de ser só diversão, autoridades alertam que a plataforma pode esconder riscos sérios, principalmente para menores de idade. Criar uma conta no Roblox é muito fácil: basta montar um avatar, escolher um apelido e pronto. Quem diz ser maior de idade nem precisa enviar documentos ou e-mail.
A partir daí, o usuário pode circular por milhares de mundos virtuais e conversar com qualquer pessoa, por texto ou áudio. O Roblox tem cerca de 144 milhões de jogadores diários. Desses, 50 milhões têm menos de 13 anos e 57 milhões estão entre 13 e 17.
A maioria acessa pelo celular, o que faz o jogo estar sempre presente na rotina das famílias. No começo do ano, a empresa passou a usar verificação facial para tentar identificar a idade dos usuários e limitar o chat de crianças, mas a medida gerou muita reclamação.
Além disso, a própria plataforma admite que a classificação etária pode falhar às vezes. Como grande parte dos conteúdos é criada pelos próprios usuários, surgem ambientes totalmente inadequados: bailes funk com músicas sexualizadas, apologia a crimes, simulações de ataques em escolas, incentivo a dar fim à própria vida e até mundos que falam em “venda de crianças”.
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, 90% das vítimas acompanhadas em investigações iniciaram contato com agressores dentro do Roblox. O golpe é silencioso: adultos fingem ser crianças, criam laços, levam a conversa para outros aplicativos e começam a manipular as vítimas.
A empresa diz que monitora conversas, proíbe conteúdos ilegais e oferece ferramentas de denúncia. Mesmo assim, jogos perigosos podem demorar semanas para sair do ar. O debate cresce com a chegada do ECA Digital, o Estatuto da Criança e do Adolescente na internet, que entra em vigor agora em março e deve exigir mudanças nas plataformas.
Outros países já discutem ou adotam restrições, como Austrália e Espanha. Isso sem falar para o aumento de problemas ligados ao uso excessivo de telas por crianças e adolescentes. E na sua casa, Roblox é benção ou maldição? Me conta no Instagram @marcelosander. Por uma internet melhor para todos, até o próximo artigo!
Conexão Digital 1311 - Trend da sua caricatura no trabalho
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Ilustrações bem-humoradas, traços exagerados e referências à rotina do usuário estão no centro da trend da caricatura com Inteligência Artificial que viralizou nas redes sociais essa semana.
A prática usa ferramentas de IA para transformar fotos pessoais em desenhos personalizados, criados a partir do histórico de conversas na plataforma. A dinâmica é simples: o usuário envia uma foto e solicita uma caricatura que considere não apenas a imagem, mas também os temas mais frequentes de suas interações.
Para entrar na brincadeira, é possível usar ferramentas de inteligência artificial que geram imagens, como o ChatGPT e o Gemini, ambos com opções disponíveis no plano gratuito. A principal recomendação é ter um histórico de conversas ativo na plataforma escolhida, já que essas informações ajudam a IA a criar uma caricatura mais fiel e personalizada.
Também é necessário enviar uma foto própria, que pode ser uma selfie, para servir de base para o desenho. A partir disso, a ferramenta combina imagem e contexto para gerar a caricatura final.
Mas como fazer a trend da caricatura? Simples! Acesse o ChatGpt ou o Google Gemini. Escolha as imagens. Use uma foto sua em boa qualidade. Cole o comando principal: "Crie uma caricatura minha com base nas nossas conversas anteriores e em tudo o que você sabe sobre mim. Inclua meu trabalho e meus hobbies. Quero um estilo divertido, moderno e profissional."
Aí é só compartilhar e se divertir com o resultado. Me segue no Instagram @marcelosander. Por uma internet melhor para todos, até o próximo artigo!
Conexão Digital 1310 - Cultura do cancelamento
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Você já teve receio de publicar algo na internet que você achou legal, mas que poderia ser criticado ou criticada por isso? Em tempos de politicamente correto, é preciso ter cuidado com as palavras pra se evitar o que tem sido chamado de Cultura do Cancelamento.
É quando um grupo de pessoas que se sentiu ofendido por algo que você postou resolve, além de te boicotar, te expor na internet pra que outras pessoas também te boicotem, bloqueiem, ou em alguns casos até te ameacem.
O problema é que, quando o remédio é maior do que a doença, como bem sabemos, a diferença do remédio para o veneno é a dose. Quando os chamados "justiceiros da internet" resolvem agir em conjunto, isso pode significar um julgamento de exceção, em que a vingança nunca é o bastante o suficiente.
Se você é daqueles que aderem a esses movimentos de cancelamento, cuidado para que você não seja o próximo a ser cancelado. É como diz o ditado: olho por olho, dente por dente, e acabaremos todos cegos.
Se já passou por isso por alguma publicação que fez, me conta no Instagram @marcelosander. Por uma internet melhor para todos, até o próximo artigo!
Conexão Digital 1309 - Pagamento por Bluetooth em ônibus é mais democrático que NFC
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Você tem costume de fazer pagamentos pelo celular, usando a tecnologia NFC? Pois é, só que muitos celulares mais antigos ou até modelos atuais mais baratos não possuem essa tecnologia.
Pensando nisso, a Prefeitura de São Paulo começou a testar um novo modo de pagar ônibus pelo celular: via Bluetooth. A ideia surgiu porque muitos aparelhos antigos ou baratos não têm NFC. Com Bluetooth, o sistema fica mais acessível.
O projeto-piloto inclui 2.200 ônibus em 296 linhas e deve ser ampliado. O funcionamento é simples: via aplicativo, o usuário acessa a carteira digital, compra a passagem via Pix e, na hora de embarcar, ativa o Bluetooth, escolhe o bilhete e aproxima o celular da catraca. É possível comprar passagens avulsas, diárias, semanais ou mensais.
Como tudo é atualizado na nuvem, a SPTrans pode até liberar catracas remotamente. A tecnologia já está pronta para toda a frota de 13 mil ônibus, que transporta 7 milhões de pessoas por dia.
O modelo não é novo: foi testado em Sorocaba entre 2019 e 2020 e segue funcionando. A ideia é expandir a solução para outras cidades, sistemas de bilhetagem e até outros modais, como metrô, trem, barcas e estacionamento tipo Faixa Azul. Tem também a possibilidade de novos formatos de cobrança, como tarifas por tempo, distância ou região.
O desafio é que o Pix por Aproximação hoje só funciona com NFC, segundo regras do Banco Central, e uma mudança regulatória seria necessária para liberar o uso por Bluetooth. Mas isso é fácil de resolver. Mas será que a tecnologia Bluetooth é mais segura do que a NFC? Você confia?
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