Conexão Digital 1344 - Inteligência artificial nos algoritmos do Tinder
sexta-feira, 27 de março de 2026
Os aplicativos de relacionamento como o Tinder vendem a ideia de que podem encontrar o par perfeito, mas, na prática, não funcionam assim. Apesar de terem dados suficientes para indicar alguém altamente compatível em poucos segundos, essas plataformas são estruturadas para manter você dentro do sistema, não para fazer você sair dele.
A lógica é simples: quando duas pessoas formam um casal, são dois usuários a menos. Além disso, há um desequilíbrio na base de usuários: cerca de 75% são homens e 25% são mulheres, o que torna a competição ainda mais difícil.
Para aumentar a frustração e incentivar pagamentos, os aplicativos limitam a visibilidade de perfis, prática conhecida como “invisibilidade seletiva”. Assim, o usuário é levado a pagar por planos premium para ter mais destaque.
Na prática, você vira o produto, enquanto a solução vendida resolve um problema criado pelo próprio sistema. Outro mecanismo é o uso de combinações quase perfeitas: o algoritmo apresenta alguém com o perfil físico que te atrai, mas com valores incompatíveis. Isso gera um ciclo de expectativa e frustração, um “quase deu certo”, semelhante ao funcionamento de jogos de azar, mantendo o usuário preso na tentativa de acertar na próxima vez.
Esse modelo também se conecta ao consumo: pessoas solteiras e emocionalmente carentes tendem a gastar mais com aparência, lazer e experiências, alimentando outros mercados. A carência, nesse contexto, vira uma engrenagem lucrativa. Só que o amor não nasce de um algoritmo. Relacionamentos reais são construídos no convívio, no contato direto e no dia a dia, longe da lógica de rolar telas e tomar decisões rápidas com um simples clique.
Você já teve alguma experiência positiva nesse tipo de aplicativo? Me conta no Instagram @marcelosander. Por uma internet melhor para todos, até o próximo artigo!
Conexão Digital 1087 - Como perfis lucram mesmo sendo odiados
quarta-feira, 2 de abril de 2025
Você provavelmente já deve ter visto cortes de entrevistas ou publicações com mensagens polêmicas, politicamente incorretas ou preconceituosas de influenciadores, subcelebridades, donos de empresas ou mesmo anônimos na internet.
É o chamado "Rage Bait". Na tradução livre, significa "isca de ódio", ou "marketing da raiva". A técnica é muito bem elaborada para causar indignação e até raiva em quem lê ou assiste. E, com isso, obter mais engajamento nas publicações, seja com comentários e compartilhamentos ou, no caso do Facebook, as reações negativas.
Mas comentários negativos não são ruins? Você deve estar se perguntando... Bom, a questão é que os algoritmos não fazem juízo de valor. Não sabem se o comentário é positivo ou negativo. Não sabem se a gente compartilha por gostar ou por não gostar do que viu. E quanto maior o engajamento em uma publicação, maior será sua viralização e mais gente vai passar mais tempo vendo aquele conteúdo. Tudo o que as redes sociais mais querem!
Assim, o dono da publicação sai da sua bolha e aumenta o número de visualizações não só do post em questão, mas de outros posts dele. O algoritmo entende que não só o post mas o perfil em si está relevante naquele momento e começa a sugerir outros posts do perfil aos usuários. Então, quanto mais pê da vida uma publicação te deixar, mais você vai ficar sucetível a comentar. É aquela coisa: sempre vai ter muito mais gente disposta a criticar do que a elogiar, ainda mais na internet.
Então, pra que esse tipo de conteúdo deixe de aparecer pra você, as duas principais opções são: primeiro, não bata palma pro palhaço dançar, evite o impulso e simplesmente não interaja, deixe passar batido no seu feed. Se a isca não engajar, com o tempo o autor desiste desse tipo de conteúdo. Ou, em segundo lugar, simplesmente bloquear o perfil. Afinal, o que os olhos não vêem o coração não sente.
Eu tenho uma regra simples: se algum perfil que eu sigo começa a me fazer mais mal do que bem, é hora de deixar de seguir. Recomendo esse detox digital. Me segue no instagram @marcelosander. Por uma internet melhor para todos, até o próximo artigo.

