[ARTIGO] THINK - Nunca foi tão importante pensar
Na manhã do dia 19 de junho de 2026, participei do evento "THINK - Nunca foi tão importante pensar", no P7 Criativo, em Belo Horizonte, e saí com a sensação de ter participado de um dos eventos mais maduros sobre IA que vi até hoje. Sem hype, sem promessas milagrosas, apenas conversas executivas honestas sobre o que realmente importa na adoção de IA. Idealizado pela MHM Digital, com apoio de Investminas, InvestBH e Olympio, o evento cumpriu o que prometeu: colocar o foco nas decisões humanas por trás da tecnologia.
Leo Carraretto, um dos palestrantes anunciados, não pôde comparecer, mas foi brilhantemente substituído por Isabela Vasconcelos (fundadora e diretora de inovação da Next), que trouxe uma contribuição extremamente rica e prática, complementando perfeitamente o evento.
A abertura já deu o tom: “Nunca foi tão importante pensar”. Patrício Neto, CEO da MHM Digital, alertou para o ruído e o alarmismo ao redor da IA, destacando que o problema não é a tecnologia, que cumpre bem seu papel de processar e gerar respostas. O risco real é o ser humano parar de pensar. Trouxe dados preocupantes, como o Efeito Flynn Invertido (queda no QI médio das novas gerações) e a queda de desempenho no PISA, questionando se estamos formando operadores de ferramentas ou pensadores críticos. Foi uma provocação forte sobre atenção fragmentada, burocracia e a armadilha dos atalhos.
Em seguida, Jones Madruga (ex-Nubank) trouxe uma das falas mais impactantes do dia na palestra “Muito além da automação”. Ele foi direto: o erro ficou caro. Com IA, é fácil e barato colocar algo no ar, mas o custo de uma falha reputacional ou regulatória é altíssimo. Seu recado central foi cristalino: decisão tem consequências e precisa ter dono. Não se trata de frear a IA, mas de colocar responsabilidade no centro.Ele propôs uma lente prática: automatize pelo reversível, não apenas pelo possível. Sugeriu checkpoints humanos claros, distinguir riscos baixos (IA decide, humano revisa por amostragem), médios (IA recomenda, humano aprova) e altos (sempre aprovação humana). Jones reforçou: não é mais “se” usar IA, mas “onde”, “como” e, principalmente, “quem responde”.
Isabela Vasconcelos fechou com maestria a parte de cultura e implementação. Ela mostrou a realidade nua e crua: 88% das empresas usam IA, mas só 6% conseguem atribuir mais de 5% dos resultados a ela. No Brasil, apesar de 67% verem IA como prioridade, 72% estão ainda no estágio inicial. Falou do vício dos pilotos sem fim, do Shadow AI (que já causou mais de 20% dos vazamentos de dados) e da falta de governança.
Isabela foi especialmente forte ao falar de liderança: muitos cobram uso de IA, mas não redefinem processos, não dão exemplo e não criam espaço seguro para errar. Defendeu o “desaprender”, a curiosidade como habilidade essencial e o “humano no loop”. Seu exemplo de workshop interno, onde times multidisciplinares criaram juntos casos de uso, mostrou um caminho concreto de engajamento.
O painel de debates contou ainda com: Jonas Madruga (ex-Nubank e agora em nova jornada empreendedora); Isabela Vasconcelos (fundadora e diretora de inovação da Next); Ícaro (Superintendente de Tecnologia e Inovação de Minas Gerais); Duda (Petronas Lubrificantes Global); e Helder Lucas (COO da OLI, uma das primeiras empresas do Brasil certificadas pela Anthropic).
Saí do THINK convencido de que o grande diferencial competitivo não será quem usa mais IA, mas quem pensa melhor com ela. A tecnologia acelera, mas a direção continua sendo humana. Equilibrar velocidade com responsabilidade, governança com experimentação e ferramentas com pensamento crítico é o verdadeiro desafio dos líderes hoje. Em um mundo cada vez mais acelerado pela tecnologia, pensar talvez seja, de fato, o recurso mais valioso que ainda temos.Parabéns à organização por entregar exatamente o que o título prometia: um espaço onde realmente vale a pena parar para pensar. E muito obrigado ao amigo Jaderson Trindade pelo convite!


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